sexta-feira, 6 de maio de 2011

Tendências que todos falam, mas poucos praticam


Conheça o que deixou de ser novidade, mas ainda não saiu do discurso das empresas e se transformou em ações concretas

Sair do racional e entrar na direção emocional para ter envolvimento. É isso o que os consumidores esperam das marcas. Pode parecer que ideias como essa não são mais tendência e sim um lugar comum na estratégia de Marketing das empresas. Conceitos que falam de transparência no relacionamento entre marcas e consumitores já estão tão batidos no discurso do mercado, que podem parecer notícia velha. Mas a verdade é que poucas companhias brasileiras entenderam a importância de observar o consumidor com novos olhos, diante de todas as mudanças que vêm sendo desenhadas nos últimos anos.
Por isso, se algo ainda não foi bem absorvido e executado por grande parte das empresas, podemos, sim, chamar de tendência. É o que diz Paulo Roberto Al Assal, Diretor-Geral da Voltage, empresa especializada em human insights. Em entrevista ao Mundo do Marketing, Assal cita o que ainda precisa ser bem executado no Brasil em termos de branding e Marketing e traz o foco para as transformações no comportamento das pessoas.
Muito mais do que entender o consumidor, a Voltage busca compreender os indivíduos enquanto seres humanos. A partir deste conhecimento, a empresa contribui para projetos de novos produtos e conceitos, embalagens, comunicação e planejamento. Entre os clientes da agência estão macas como Unilever, Nivea, Leroy Merlin, Carrefour e Philips.

As transformações na era da informaçãoO acesso a muitas informações fez do consumidor mais exigente e deu a ele um poder que não é apenas um discurso, mas algo real. As empresas precisam entender a importância do investimento em branding para humanizar as marcas e torná-las autênticas. Casos recentes como o da Brastemp mostram que as companhias reconhecem as mudanças no mercado e no comportamento do consumidor, mas ainda não sabem agir de acordo com elas.
“Falamos de internet, mas não sabemos lidar com ela. Acho que houve um barulho excessivo no caso da Brastemp, que é uma marca de ótima reputação. Antes de se desesperar, a empresa deve ver se isso realmente chegou à massa e aos influenciadores e se manchou a reputação. Hoje as pessoas realmente acham que a Brastemp é uma marca ruim por causa da reclamação de um cliente, sendo que ela tem uma reputação de anos e anos? Obviamente, se fosse outra marca com uma imagem negativa, eu não estaria falando a mesma coisa”, ressalta Assal.
As transformações na dinâmica do mercado acabam forçando as marcas a irem além do que estavam acostumadas a fazer. De acordo com a pesquisa Brand ID, conduzida pela Voltage, em parceria com a Bridge Research, e inspirada no estudo britânico Brand Personality, do The Future Laboratory, 45% dos entrevistados esperam que as marcas sejam amigas. Já 62% acreditam que falta honestidade por parte delas e 53% dos brasileiros não vêem nas marcas valores humanos que consideram importantes.

Transparência e presença
Essa percepção é resultado do desinteresse da maioria das empresas em manter um relacionamento próximo e sincero com os consumidores. No mercado internacional, há dois cases que mostram o que pode ser feito neste sentido. Um é o da Domino’s Pizza, que assumiu publicamente, por meio de uma campanha, que reconhecia a falta de qualidade de seu produto. Apesar de arriscada, a iniciativa era uma tentativa da empresa de mostrar-se transparente.
Também nos Estados Unidos, a marca de cereal Trix aproveitou um post de uma internauta para se aproximar e gerar boca a boca virtual. Depois de ler o tweet da garota que dizia que “morreria porque não tinha Trix em casa”, a empresa mandou um caminhão carregado de caixas do produto para a casa da consumidora. No Brasil, a Coca-Cola fez uma ação semelhante, quando enviou bebidas para Marcus Lemos, que reclamava do calor no trabalho e deseja a bebida.
“O caso de Trix, por exemplo, é um exagero, mas mostra que a marca está monitorando e percebendo essa relação que é pautada por outros fatores que não apenas a parte comercial. As pessoas querem marcas engajadas, que tenham um propósito, e 90% das marcas brasileiras não têm isso na essência. Mesmo no mundo são poucas as que têm um propósito definido, como a Unilever, que é vitalidade, ou a Apple, que é usabilidade”, acredita o executivo.

Neutralidade sobre as marcasPara atender as necessidades e os desejos deste novo consumidor, as empresas precisam ir além e fazer algo pela vida das pessoas. Por isso a necessidade de humanizar as marcas, o que só é possível quando o olhar é desviado do consumidor para o indivíduo. Muito antes de pensar em produtos, todos estão preocupados com assuntos como qualidade de vida, saúde e família.
A pesquisa Brand ID indicou que 52% dos brasileiros disseram “sou neutro em relação às marcas. Elas não ajudam nem prejudicam minhas decisões no dia a dia”. Pode parecer simples, mas uma afirmação como essa é capaz de destruir uma estratégia de Marketing que coloque no centro do planejamento um produto ou serviço, antes de focar nos anseios e desejos destes consumidores.
“O que é mais importante, a saúde do seu filho, a sua casa própria ou uma marca? As pessoas têm outras prioridades. A Caixa Econômica Federal é uma marca tão bem vista pelo brasileiro porque o maior sonho dele é a casa própria. E é ela quem fala ‘vem comigo que eu vou te dar a casa própria’. As pessoas esperam das marcas as mesmas coisas que esperam de um amigo. Não ache que a sua marca está regendo as pessoas”, diz Assal.

Geração Y e o consumo
Este cenário torna-se ainda mais complexo com o aumento do potencial de consumo da geração Y. Ansioso por natureza, este grupo é insaciável. Por isso, mais do que pensar em um produto, as companhias devem prestar atenção nestes consumidores. Se eles são capazes de trocar de emprego com frequência, imagina o impacto que isso tem na escolha de produtos e serviços?
“A geração Y espera autenticidade das marcas, o que não é fácil. Ou se é autêntico ou não é. Também desejam cumplicidade, mas são muito móveis. Esperam que a marca esteja com eles ao longo do dia, que os acompanhe. Este é um desafio para as empresas nunca antes visto. Mas também é uma grande oportunidade”, declara o Diretor-Geral da Voltage.
Ao perguntar sobre a marca mais amada, o levantamento Brand ID teve apenas uma citação: Apple. “A maioria, no entanto, disse que não ama marca nenhuma. Que ama o pai, a mãe, e que quem ama marca é o consumista desenfreado. Já Havaianas e Osklen foram as únicas marcas destacadas pela autenticidade e pelo life style. Se apenas duas foram mencionadas e somente uma é amada, estamos com um problema”, ressalta, mostrando que as empresas que souberem preencher este vazio conquistarão algo tão – ou mais – importante quanto o market share ou o share of mind: o share of heart. Ou seja, o espaço que você conquistou no coração do consumidor.

fonte: Mundo do Marketing

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Relacionamento e Promoção pela internet potencializam vendas

Pão de Açúcar, Johnnie Walker, West Coast e Cravo & Canela realizam ações no ambiente online para atrair consumidores
O relacionamento na internet tem sido uma importante ferramenta para as marcas que desejam engajar os consumidores e, consequentemente, aumentar suas vendas. É o caso de empresas como Pão Açúcar, Johnnie Walker, West Coast e Cravo & Canela, que investem em estratégias para fidelizar clientes e ampliar os pontos de contato.

As ações digitais, no entanto, devem dialogar com o mundo offline para expandir a experiência do consumidor com a marca. Prova disso são as iniciativas do Keep Walking Club, da Johnnie Walker. Criado em 2007, o clube de relacionamento oferece aos associados personalização das garrafas do blend Black Label, com mensagens de até três linhas, permitindo ao consumidor a criação de um produto exclusivo e único.

O processo é todo feito no ambiente virtual, desde o cadastro para se associar ao clube, até a criação da frase do rótulo. Mas o resultado é visto ao vivo, na embalagem do próprio produto. Os membros também contam com o Movimento Piloto da Vez, que dá direito a uma corrida gratuita de até 10 km de taxi, entre às 19h de sábado e às 5h de domingo. Os associados devem apenas ligar para uma Central de Taxi e dizer os dados de identificação do clube. O Keep Walking Club oferece ainda descontos em produtos da marca em delicatessens de São Paulo.

Relacionamento para alavancar vendas

A West Coast e a Cravo & Canela também promovem benefícios aos consumidores a partir da internet. As marcas do grupo gaúcho de calçados West Coast lançaram em 2010 a Lista de Desejos. Com a ferramenta, os consumidores podem selecionar três produtos que gostariam de ganhar no site e compartilhar suas escolhas nas redes sociais. A cada mês, o internauta que tiver a lista mais clicada recebe um dos modelos desejados.

“Com a Lista de Desejos, já estamos conquistando um crescimento semelhante ao primeiro trimestre de 2010, que foi de 30%. Este ano, mesmo sem o fechamento oficial de janeiro-março, já ultrapassamos a marca de 27%”, afirma Fábio Steffen (foto), Coordenador do Núcleo Digital da West Coast e da Cravo & Canela, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Já o Grupo Pão de Açúcar investe em ações pontuais para as suas bandeiras. Para a 12ª Feira de Informática do Extra, por exemplo, a empresa desenvolveu um aplicativo no Facebook que permitia aos consumidores selecionarem os produtos que gostariam de encontrar em promoção. A oferta que recebesse o maior número de “curtir” seria ativada.

Durante a Páscoa, o Grupo também desenvolveu uma ação semelhante na rede social. Foi criado um aplicativo chamado Corrida de Coelhos, com o objetivo de proporcionar um envolvimento dos consumidores com a empresa. A cada semana do mês de abril, quatro marcas de ovos Páscoa estariam disponíveis e, durante o período, o mais votado na rede estaria em promoção nas lojas do Pão de Açúcar.

“A procura foi muito grande e chegamos a vender ovos de Páscoa com até 50% de desconto. Com a ação pretendemos descobrir quais produtos são os mais procurados e quanto de abatimento os consumidores desejavam encontrar”, diz Nathália Jordão, Coordenadora de Marketing Digital do Grupo Pão de Açúcar, em entrevista ao portal.

Comunicação eficaz proporciona mais engajamento dos consumidores

Para que as ações de Marketing nas mídias sociais influenciem no crescimento das vendas é preciso entender o perfil do consumidor para quem elas se destinam. O Grupo West Coast mantém dois canais de comunicação, um para o público feminino e outro para o masculino. A página da marca feminina Cravo & Canela, criada em 2005, conta com um blog atualizado cerca de três vezes por semana com informações sobre moda, beleza e celebridades.

Já no site da West Coast, especializada em produtos para homens, o ritmo de postagens é diferente. As ações para estes consumidores devem ser mais pontuais e espaçadas para serem mais relevantes. A ideia em 2011 é focar no tema futebol, possibilitando o engajamento de mais internautas. “Este ano pretendemos manter os canais de comunicação que abrimos em 2006, trazendo sempre novidades para atrair novos consumidores”, explica o executivo do Grupo West Coast.

Esta também é a estratégia do Pão de Açúcar, que teve o seu Núcleo de Marketing Digital criado em 2009. O principal objetivo do Grupo é intesficar as iniciativas na web, utilizandos as redes sociais como principais plataformas de comunicação com os consumidores. A prioridade é o engajamento dos internautas, depois, as vendas. “Antes de qualquer coisa, a ações de relacionamento online são uma forma de disseminar a marca”, afirma a Coordenadora de Marketing Digital do Grupo ao Mundo do Marketing.

Mais tempo de envolvimento com as marcas

Outro benefício proporcionado pelas iniciativas online é a possibilidade de um tempo maior de envolvimento do consumidor com as marcas. Estas plataformas permitem que o internauta esteja em contato com a empresa em momentos diferentes de relacionamento, o que é intensificado com a mobilidade.

Reformulando os seus portais em 2009, o Grupo West Coast conseguiu ampliar o tempo médio de permanência dos consumidores de dois minutos para sete minutos. Em 2010, os portais foram integrados com as redes sociais. A criação da Lista de Desejos possibilitou que a empresa, que investe 1/6 de sua verba de Marketing no ambiente online, potencializasse a divulgação de novas coleções a partir de sites como Facebook e Twitter.
Apesar de ações bem-sucedidas na internet terem o poder de aumentar as vendas. As empresas devem saber que o mais importante é investir no relacionamento e estar próximo dos consumidores. “Atualmente estamos nos principais canais que os internautas frequentam. Amanhã, pode surgir uma nova rede mais relevante, em que devemos estar presentes de qualquer maneira. O nosso foco é construir uma base sólida de seguidores que podem se tornar futuros consumidores”, explica a executiva do Grupo Pão de Açúcar ao portal.

fonte: Mundo do Marketing

terça-feira, 19 de abril de 2011

Você é bem atendido nas Lojas?

Compartilhe3 Pesquisa mostra que as classes C, D e E se sentem destratadas por vendedores, o que leva a uma falta de confiança para fazer compras. Você já passou por isso? Compartilhe sua experiência
Você se sente ignorado pelos vendedores? As classes C, D e E tambémSe você se sente mal atendido nas redes e lojas de varejo e pertence às classes C, D e E, não está sozinho. Um levantamento feito pelo Plano CDE, uma consultoria especializada nessas classes sociais, mostrou que até 25% desses consumidores admitem falta de confiança diante de uma compra. A pesquisa considerou como classe C pessoas de famílias com renda de R$ 1.214 a R$ 3.033 (quatro a 10 salários mínimos); classe D, com renda de R$ 607 a R$ 1.213 (dois a quatro), e, E, de R$ 0 a R$ 606 (zero a dois).

Associada à falta de autoestima, os clientes acreditam ser mal recebidos por pertencerem a um grupo de baixa renda – percepção de 50% dos clientes da classe C, 51%, da D, e 56%, da E. Gilsa de Andrade Campos, que trabalha em uma lavanderia e tem 52 anos, diz que passou por situações que ilustram a pesquisa. "As pessoas reagem como se você não tivesse dinheiro para comprar naquela loja. Há lugares em que você nem consegue entrar", afirma. Em algumas lojas, conta, as vendedoras só mostram os produtos mais baratos. Certa vez, não conseguiu efetuar uma compra porque o vendedor não acreditou que ela poderia pagar. Teve que voltar com a filha. "Eu fiz questão de comprar lá para mostrar que eu tinha dinheiro. Naquela vez eu me senti lá embaixo", afirma.

»O brasileiro só quer saber de consumoIsso também aconteceu com a diarista Sonia Aparecida Gonçalves, de 31 anos. Ela precisava fazer uma compra grande, que o marido pagaria à vista – guarda-roupa, cama de casal com colchão, estante para a sala, duas camas de solteiro com colchão e armário de cozinha. E o vendedor só mostrava o que estava "mais em conta", não acreditou que ela, ainda sozinha na loja, teria como pagar tudo aquilo. "Quando meu marido chegou para pagar, o vendedor começou a me mostrar produtos de melhor qualidade, mais caros", diz. "Foi um constrangimento terrível. Depois que estava tudo separado eu ainda comprei mais coisa, para mostrar que ele não pode tratar a gente assim", afirma. Com a decisão da compra, Sonia se sentiu vingada – o vendedor jamais havia feito uma venda tão robusta à vista. "Mesmo se eu quisesse dividir em 24 vezes ele tinha que vender bem. Se ele quer ser vendedor, tem que tratar bem o cliente", diz. Ela afirma se sentiu constrangida por "estar passando por mentirosa".

Esse tipo atendimento, desconfiado, do varejo deve prestar atenção aos dados a seguir. Cerca de 19 milhões de brasileiros migraram para a classe C em 2010, que passou a ser maior do país, com mais de 101 milhões de pessoas – 53% da população. A informação é de uma pesquisa encomendada pela Cetelem BGN à IpsosPublicAffairs, que também mostrou que há 47,9 milhões de brasileiros nas classes DE (25%) e 42,2 milhões nas AB (21%). Ou seja, 74% da população estão concentradas nas classes C, D e E, que começam a correr para as lojas, mas sentem receio de comprar porque já sofreram episódios de discriminação.

A também diarista Rosaelina Silveira da Silva, de 50 anos, estava com uma sacola pesada e grande nas costas, além da bolsa, quando entrou em um supermercado popular de São Paulo. Queria comprar apenas um produto e sair rapidamente, uma vez que já estava perto da hora de o ônibus passar. A diarista passou direto pelo guarda-volumes e uma funcionária, do outro lado do supermercado, gritou alto e de forma agressiva para que ela usasse o guarda-volume. "Fiquei muito sem graca, todo mundo ficou olhando", afirma. Mas ela insistiu e entrou. A funcionária arrancou a sacola e não a deixou entrar com ela. "Fiquei chateada e ofendida. Achei a atitude dela errada. Foi uma agressividade desnecessária", afirma Rosaelina. Quando reclamou do tom grosseiro, a funcionária respondeu que aquela era sua função. "Que lei é essa que deixa o funcionário fazer isso com o cliente?", questiona a diarista, que nunca mais retornou ao supermercado.

A cozinheira Virgínia Carla Belchior, de 37 anos, estava dentro de uma loja e perguntou o preço de uma peça à vendedora, que não respondeu. Virgínia questionou se ela não queria atendê-la porque era pobre. "Não, não, senhora, depois eu lhe atendo", respondeu a vendedora, que deu atenção a várias clientes e não falou mais com a cozinheira. "Minha irmã falou que, se a gente fosse atendida, ela compraria uma blusa." Ficou sem a roupa. "Quando a gente chega a lojas, se não estiver bem trajada, bem arrumada, realmente ninguém liga para você e ainda te tratam mal", afirma. "Eles olham de lado, parece que você é bandida", diz. Ela também foi destratada em uma grande rede de varejo. Virgínia precisava cancelar um cartão, ficou na fila, mas a funcionária não resolvia seu problema. "Passei o maior constrangimento, até chorei na fila. A vendedora me tratou mal." Ela teve que chamar o gerente. "Me ignoraram", afirma.

Alguns dados da pesquisa feita pela consultoria Plano CDE:

Falta de confiança para comprar
(percepção)
Na classe A: 7%
Na classe B: 13%
Na classe C+: 11%
Na classe C-: 20%
Na classe D: 21%
Na classe E: 25%

Já foi mal atendido
(percepção)
Na classe A: 40%
Na classe B: 42%
Na classe C+: 46%
Na classe C-: 50%
Na classe D: 51%
Na classe E: 56%

fonte: http://www.epoca.com.br/